Seja Bem-Vindo

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quinta-feira, 7 de julho de 2011

Em Branco





Guardo em branco um nome.
Já o outro, imaginário,
que artificial parece,
respira natural em mim,

de presença frágil, invisível,
provisório , nem diferencio
com o dia que se vai,
esvai-se
na ausência de vestígios:
nem cheiros no ar.
Apenas guardado em mim.

E para imaginário nome
guardo poemas em branco,
impregnado de palavras que não escrevi,
mas deixo minha fala. Muda,
na rotina de silêncios desta casa,

que cúmplice, guarda
contida, carta de suicida
nunca encontrada.

(Imagem: Aquarela de Marlene Edir Severino)
Julho, 6 de 2011

8 comentários:

  1. O poema implode com nossos segredos, lhes damos carta branca e muito mistério.

    Muito bom, Marlene, adorei!

    Beijo.

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  2. Em branco guardamos um universo paralelo que nem mesmo nós por vezes conhecemos.

    Maravilha de poema, minha amiga!

    Beijo.

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  3. Só de imaginar se escreve
    em branco
    mas quando as palavras ganham corpo
    até o poema respira inteiro

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  4. Que beleza... "poemas em branco, impregnado de palavras que nunca escrevi"

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  5. [Não há papel em branco que não aguarde, que por dentro de si pulse, e da vida brote tinta que se guarda artéria adentro, tinta poema adentro]

    Abracimenso, Marlene

    Leonardo B.

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  6. O branco que tudo permite no universo da criação artística. A partir do branco todo o colorido é possível.

    Lindo!

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