
Silenciados
feito dois estranhos
[nem cabe falar muito em certas horas,]
apenas alguns longos olhares,
e arriscar algumas frases recheadas
de meras trivialidades,
nada foi facilitado
[e ainda assim, enxergou dourados fios nos meus cabelos,]
mas era tão pouca a luz da cafeteria,
e ampliada a sombra
no tanto espaço entre dois corpos,
no tanto silêncio que pairava,
foi permitido
que cada palavra se dissolvesse
pela saliva,
que se calasse em silenciosa dor,
presa;
nem meias palavras,
nenhum gesto a mais,
apenas um abraço,
imóvel,
de mútuo desamparo.
(Imagem: óleo de Marlene Edir Severino)
Setembro, 26 de 2011