Não é somente um poema. Nasceu num momento de recolhimento no intrínseco quintal, sobrevoou nas asas de alguma borboleta ultrapassou limites, noutras galáxias, quem sabe, um pouco mais além e transcendeu... Além do Quintal!
Seja Bem-Vindo

quinta-feira, 28 de outubro de 2010
Instante
olhar a cor do dia:
a manhã entrou;
com ela teu cheiro,
arrebatadora presença.
Ah!
Bem que podias
escrever-me um poema,
qualquer frase solta
de duplos sentidos;
pena...
Já se foi o instante
e o dia se vai;
acho que é assim, quase tudo,
esvai-se num segundo;
queria-te agora,
amanhã: distante
demais.
Fúcsia
Ficaria assim:
(precisa mais?)
a dançar contigo noite adentro,
pernas a roçar as tuas,
ocasional
(ou não).
Guio-me pelos teus passos
no ritmo,
corpo aquecido no teu,
fúcsia:
da cor da blusa.
domingo, 24 de outubro de 2010
Esboço
a tingir o papel de aquarela
com as tintas desse instante:
salpiquei de leveza tua imagem,
olhos focados em quimera
a valorizar teus nadas,
absurda e ilusória me recrio a cada hora.
Em atalhos poeirentos percorridos,
vislumbro estreito corredor de estrelas;
recrio-te: incansáveis começos,
recomeços ambíguos,
frágil contentamento com teus poucos.
Escassos.
Desnecessárias palavras, agônicas a escorrer,
artéria silenciosa de inúteis percursos esvaecida ao vento;
dançam no ar, resquícios: sementes de dentes de leão,
asa de borboleta, esqueletos de folhas,
suaves plumas de algodão
salpicadas de violeta, malva nuvem,
gris.
Areia fugidia da ampulheta, contagem do tempo,
gozo finito.
Silencioso desalento de imagem borrada,
vestígio de tarde guardado no papel,
absorto desejo, confuso, imenso.
Tépido poente a tingir o céu.
Marlene edir severino
quinta-feira, 14 de outubro de 2010
Nada
Neste momento íntimo, Intrínseco,
numa fantasia do nada, reverência ao vazio,
a valorizar resíduos do teu silêncio,
imaginar frescor em gastas palavras,
fico aqui a te sorver,
num desejo de tocar teu espírito,
maior talvez até do que
o de querer tocar teu corpo;
vislumbro arco-íris de cores dos começos,
mas este sutil entremeado,
é mera nesga de pó do que se acaba,
tem o valor de um nada,
sequer começou ou existiu.
Nem quis aqui buscar conceitos
ou certezas meras,
quando falta a palavra para o indefinível,
melhor ficar assim, a esmo;
e esta chuva agora,
fria, não mais do que esta voz
que se agiganta
e vem do poço, das entranhas,
dura, faminta,
diz coisas que não quero ouvir.
Também faz frio lá fora.
marlene edir severino
domingo, 10 de outubro de 2010
Parece que há muito te conheço,
acredita?
mas como, se somente agora é que te vi,
não fosse cética te diria:
de outra vida;
mas nem eu creio,
como impor a ti?
Nos olhamos mais do que falamos,
silenciosa conversa, de muda fala,
mas de intensos olhares,
(que olha, olha e nada diz).
Vamos,
pergunte o que quiser saber de mim,
esvazia-me, fala comigo,
ou fiquemos assim, sem dizer nada,
pois já nos conhecemos uma vida inteira,
e somos um poema
que pulsa apenas.
Desnecessário falar ou escrever.
quarta-feira, 6 de outubro de 2010
domingo, 3 de outubro de 2010
Ando meio hiperativa,
quem sabe tem a ver com a idade,
quero que as coisas aconteçam
na freqüência de meus pensamentos;
parece que meio minuto depois,
perdeu a validade.
Qual é o teu tempo?
O pé na frente, o futuro?
O meu, nem presente é mais:
quero o tudo num segundo -
o é na mais pura essência;
quem sabe estou noutro mundo?
A cada final de semana,
parece que passou o mês.
de tantas coisas que fiz -
já o tempo, se arrastou
lento demais.
E ficas aí decidindo,
se queres estar nos meus braços;
eu, já decidi isso faz tempo:
daqui a pouco
nem vale mais...