Seja Bem-Vindo

Seja Bem-Vindo

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

De vento



[Desafio Poético com imagem]

Pé de vento
abrupto
bate as venezianas
invade
vazios
cômodos da casa
gira desordenado
o cata-vento

Solta as roupas do varal
dá asas ao lençol
brinca
na leveza da saia da menina
na rua que passa

Desgrenhados ficam
os cabelos
pensamento
    cabeça
    de vento


Novembro, 07 de 2013
Imagem,  Usha Tsonkova  

domingo, 3 de novembro de 2013

Pedra solta



Sob os olhos
desfilam
sucessão de superficialidades
comuns
pela repetição
Algumas se perpetuam

Pedras se encaixam
adaptadas pela proximidade
solidificada
do limo

Inadequadas
ao sabor das intempéries
vagueiam uma ou outra

de imperceptível limo
incrustado
nas fissuras



Novembro, 03 de 2013
Fotografia, Marlene Edir Severino

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Esquálido



Nesse dia
cinza
esquálido que finda
em silenciosa agonia

tanto ainda por dizer

Tantas palavras que param
petrificadas
perdem-se
na memória
detalhes pequenos gestos
como se estivessem
ainda
por acontecer Aqui
nesse mundo tão ínfimo
de conluio com as pedras

e ainda consigo
ficar
meio perdida

Acumulam-se
tantas palavras

mas fica
presente
a vontade de tentar simplificar
o ato
de pelo menos tentar
dizer

palavras
transcritas no gesto
de fechar venezianas
apagar as luzes
na repetição

da noite

Outubro, 17 de 2013
Fotografia, Sidarta

sábado, 28 de setembro de 2013

Um tom de sépia





A tarde finda
pátina
vibram todos os sinos de vento
e um esqueleto de folha flutua no ar
em desalento,

bate a janela.
Azinhavre,
ferrugem.
A dobradiça emperra.

Veloz,
o vento deixa outra folha
inerte no marrom da grama.

A tarde escorre,
nem dia é mais.

Sépia na paleta.


Janeiro, 25 de 2012
Aquarela de Marlene Edir Severino

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Coisas pequenas


 A André Bessa
[Em homenagem a nossa afinidade poética - letras e tintas, as nossas sincronicidades]                                                


Porque a vista turva
no lusco-fusco

e nada mais desejo
neste dia
que se vai

Conservo
coisas minúsculas
que nos dissemos
e que nos cercam

Quase invisível este instante
quase nada
pouco vento

Fico
com as cores da tua pintura
punhado de branco no meu muro
tentar estar presente
um pouco pelo menos neste instante
em que vou deixando-me
ir aos poucos
nas poucas
pequenas coisas

Setembro, 17 de 2013
Fotografia, Sidarta