Seja Bem-Vindo

Seja Bem-Vindo

terça-feira, 9 de julho de 2013

Canção que fala de pássaros (Reeditado)






Improviso
E chegas sem aviso
entre papéis
frases soltas
abismos
A quilômetros de distância

Moro no país da solidão

Insone
escrevo versos
apodrecidos
quase secretos
visualizo teu rosto

agora teu corpo

e novamente esqueço
o café inacabado na xícara
em algum cômodo da casa
esquecida de mim
Ouvi a canção
que me fez te lembrar

Adormeci em teus braços
entre conchas e espuma do mar

Despertei

[Junho, 6 de 2011]
Editado em 2011 neste Blog
Fotografia, Sidarta

domingo, 26 de maio de 2013

Sinal de Fumo





Procuro
um pouco de calor
do sol
réstia de luz
daquela estrela
ou resquício que deixou no céu

Relâmpago
algum invisível poema
sinal de fumo
vento
um fragmento
qualquer intento
que seja
chave
que me desperte
abra de novo a porta
ou qualquer fresta
que o vento entre

e traga novamente
o cheiro do quintal

Setembro, 25 de2012
Fotografia, Sidarta


sábado, 13 de abril de 2013

Anônimo Sax


                 [Ao vizinho que homenageia a rua com seu sax, num sábado ou outro]                      



Manhã de sábado:
um som de sax
da casa ao lado -
abrupto,

irrompe o ar.
Abro a janela
e os cômodos todos da casa
dormem.

Esqueço o armário de louça
aberto;
estupefatos,
ruídos cessam

e a rua
nua
veste-se de acordes,

enche-se de graves
tons do sax

a muda manhã.



Fevereiro, 04 de 2012
Fotografia do quintal, da Marlene
Publicado no Céu de Abril, em fevereiro de 2012

terça-feira, 9 de abril de 2013

Guardado em branco





Em gavetas
guardada memória
nos rostos
de cor
e viço

Noutra
em branco
a palavra
gravada
memória
do que não foi escrito


Abril, 08 de 2013
Fotografia, Sidarta

quarta-feira, 20 de março de 2013

Do visgo



"Não creio ser um homem que saiba. Tenho sido sempre um homem que busca, mas já agora não busco mais nas estrelas e nos livros: começo a ouvir os ensinamentos que meu sangue murmura em mim." Fragmento de Demian - Hermann Hesse, tradução Ivo Barroso



Despir
a casca
dói

e deixa
visgo
em cada risco
palavra, rabisco,

na mínima lasca
que se constrói.

Marlene Edir Severino
Fotografia,  Marlene - do quintal