Seja Bem-Vindo

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sábado, 13 de abril de 2013

Anônimo Sax


                 [Ao vizinho que homenageia a rua com seu sax, num sábado ou outro]                      



Manhã de sábado:
um som de sax
da casa ao lado -
abrupto,

irrompe o ar.
Abro a janela
e os cômodos todos da casa
dormem.

Esqueço o armário de louça
aberto;
estupefatos,
ruídos cessam

e a rua
nua
veste-se de acordes,

enche-se de graves
tons do sax

a muda manhã.



Fevereiro, 04 de 2012
Fotografia do quintal, da Marlene
Publicado no Céu de Abril, em fevereiro de 2012

terça-feira, 9 de abril de 2013

Guardado em branco





Em gavetas
guardada memória
nos rostos
de cor
e viço

Noutra
em branco
a palavra
gravada
memória
do que não foi escrito


Abril, 08 de 2013
Fotografia, Sidarta

quarta-feira, 20 de março de 2013

Do visgo



"Não creio ser um homem que saiba. Tenho sido sempre um homem que busca, mas já agora não busco mais nas estrelas e nos livros: começo a ouvir os ensinamentos que meu sangue murmura em mim." Fragmento de Demian - Hermann Hesse, tradução Ivo Barroso



Despir
a casca
dói

e deixa
visgo
em cada risco
palavra, rabisco,

na mínima lasca
que se constrói.

Marlene Edir Severino
Fotografia,  Marlene - do quintal

sábado, 9 de março de 2013

Temporada de cinza




Aberta
a temporada de dias cinza
encobre o céu o dia todo
nenhum rasgo entre as nuvens
para avistar o sol
Dilui-se um pouco a densidade das nuvens
cai abundante chuva noite dia
encoberto chão de folhas umidade leveduras
bolores liquens cogumelos nos troncos apodrecidos
Opaca noite
Nenhum pontilhado de estrela
inútil buscar nada se avista
   além do cinza prenúncio de outono
   no mofo do ar


Março, 09 de 2013
Fotografia, Marlene Edir


quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Cacto (Reeditado)





A voz da tua boca
a cuspir palavras
vãs,
ambíguas,
ásperas, curtas,
sulfúricas:

espinho de cacto
da tua língua

de trapo.
Arremedo de presença.
Míngua.

Lua minguante no céu.



 
Fotografia, Marlene
Fevereiro de 2011
(Editado no Céu de Abril em 2011)