Seja Bem-Vindo

Seja Bem-Vindo

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Cacto (Reeditado)





A voz da tua boca
a cuspir palavras
vãs,
ambíguas,
ásperas, curtas,
sulfúricas:

espinho de cacto
da tua língua

de trapo.
Arremedo de presença.
Míngua.

Lua minguante no céu.



 
Fotografia, Marlene
Fevereiro de 2011
(Editado no Céu de Abril em 2011)

sábado, 5 de janeiro de 2013

Inaudível






Aguço ouvidos

quero
pungir
o vazio

ora transpassa
ora interpela

Penso

Dispenso
pensamento
Silenciosa luta
de inaudível som

Presa
a palavra
engasga

Pesa

e sua ausência
não diz mais
que este silêncio
agora

Ora

que me traduza
então

Ou não

Consegues
escutar o que
não digo?


Janeiro, 05 de 2012
Fotografia, marlene edir

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Olhar de Vento





Mal amanhece

E o vento
já balança
os galhos
da goiabeira

Caem num arremesso
misturadas flores folhas
frutos da laranjeira
forram o chão do quintal


Embaraça
em nova trama
franja da manta

esquecida

no varal


Dezembro, 13 de 2012
Fotografia, Marlene Edir Severino

domingo, 2 de dezembro de 2012

Aos domingos



Antigas
dores
desembocam
sempre
aos domingos

E o vento
lamentoso
que tem soprado
em nada
ajuda

Chora

Dezembro, 02 de 2012

Fotografia, marlene edir

domingo, 4 de novembro de 2012

Biscoito da sorte - Reeditado




Biscoito da Sorte


Prospecto de tempo emocionante
à frente – vale acreditar.
Sabor de amora silvestre aquecida ao sol da manhã,
cataplasma de estrelário
fictício talismã.

Frescor da boca da noite,
úmida grama,
exala do canteiro cheiro de manacá,
jasmim.

Chuva de estrelas no céu, Vênus,
vislumbre de completude.
Búzios, I Ching.

Enigmática conspiração dos deuses,
intrínseca constatação.

Aquarela de Marlene
(junho/2011)