Seja Bem-Vindo

Seja Bem-Vindo

sábado, 25 de agosto de 2012

Lápis-lazúli





Pendente no pescoço
o coração
pingente de lápis-lazúli
que me deu

A tarde se prende num fio invisível

Desprendo-me do teu sorriso
livro-me dos poemas
sem pena
a tarde se foi

Conservo o coração
em azul escuro
de lápis-lazúli

a noite se fez


Julho, 28 de 2011

Publicado no Céu de Abril em julho/2011
Fotografia de Marlene Edir Severino


quarta-feira, 15 de agosto de 2012

De um novo silêncio





Marcas de antigo armário
na parede do quarto
oxidadas molduras
de porta-retratos

vazias
estáticas permanecem
nada dizem
em consonância com todas as coisas

na casa
novos silêncios nascem
a todo instante


Agosto, 14 de 2012
Fotografia, Marlene Edir

domingo, 12 de agosto de 2012

Maneca




Podei a uva:
singela homenagem
pra Manoel
de dedo verde,

encardidos dedos
de esburacar a terra
para a semente.

Um homem forte,
rústico, doce e corajoso
e tinha medo atroz
do instante da morte.

(Mas quem não teme?)


Fotografia da Marlene Edir 
Agosto, 12 de 2012

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Esboço na Areia





Há coisas que demoram,
fincam âncora,
leva um tempo até partir:

a maré avança,
lava as rochas,
um leva e traz de cacos de conchas,

cava na areia um poço,
mas do desenho apagado

fica o esboço.

Outubro, 22 de 2011

Publicado no Céu de Abril, em Outubro de 2011
Fotografia, Sidarta


terça-feira, 10 de julho de 2012

Um olhar na manhã




É pouco o movimento,
tão cedo,
o dia mal começa
poucos veículos trafegam,
pedestres sem pressa

e o cheiro de relva no ar,
exala frescor,
promessa.

No caminho de saliências, reentrâncias,
velha árvore expõe a raiz,
desvia o trajeto.
Tantas folhas se acumulam
esquecidas pelo vento nos rebaixos,
na ondulação da calçada,
na pedra que se destaca,
mesmo sendo tão igual.

Incógnito dia nessa manhã:
até no vento,
vagos desenhos no céu
quando sopra nuvens,
no meu olhar distante
ao traço que separa o céu do oceano.

Ficou mais longe hoje
o horizonte?



Maio, 08 de 2012
Fotografia, Sidarta