Seja Bem-Vindo

Seja Bem-Vindo

terça-feira, 10 de julho de 2012

Um olhar na manhã




É pouco o movimento,
tão cedo,
o dia mal começa
poucos veículos trafegam,
pedestres sem pressa

e o cheiro de relva no ar,
exala frescor,
promessa.

No caminho de saliências, reentrâncias,
velha árvore expõe a raiz,
desvia o trajeto.
Tantas folhas se acumulam
esquecidas pelo vento nos rebaixos,
na ondulação da calçada,
na pedra que se destaca,
mesmo sendo tão igual.

Incógnito dia nessa manhã:
até no vento,
vagos desenhos no céu
quando sopra nuvens,
no meu olhar distante
ao traço que separa o céu do oceano.

Ficou mais longe hoje
o horizonte?



Maio, 08 de 2012
Fotografia, Sidarta


sábado, 7 de julho de 2012



Uma Leitura da Carta de Marear

"Para a Marlene Severino, muito em especial, "
- na voz do poeta Leonardo B. -  belíssima homenagem na barca dos amantes - http://www.abarcadosamantes.blogspot.com/

Grata, muito ... Emocionada!
Abraço, abraço "imenso", poeta!

Quase Segredo






Depois que sai do banho
ainda envolta
na toalha
caminha até o espelho
do quarto de vestir

Fica a olhar as próprias curvas
agora desacostumadas
à carícias

a traduzir
o avesso

reverso
do que fala

Então se cala e veste-se

E guarda sob a veste
o que não despe

Escreve

E finge
que não lhe pertence


Julho, 07 de 2012
Imagem, "Brincando com as Linhas"  de Ademar Will



segunda-feira, 25 de junho de 2012

Do vento que sopra nessas tardes





Tão grande esse vazio
o vento costuma soprar forte
pelas tardes
trazendo frio
transpassa
trançado fio da blusa

Preenche o silêncio
o som do vento
mas não me traz
qualquer palavra nova

Recolho a mesa do café
deixo cadeiras fora do lugar
disfarce
de espaço abandonado

presente a respiração
tambor que pulsa
engulo a saliva
aperto as palavras

A tarde acaba


Fotografia de Marlene Edir
Junho, 25 de 2012

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Da estrela



                                                                   “Eu ando sozinha
                                                                    ao longo da noite.
                                                                    Mas a estrela é minha”.
                                                                     Cecília Meireles







Com o brilho de Sírius, imenso,
e tão solitária,
a nem tão luminosa, Mirfak,
quem sabe a gigante Arcturus,
ou Canopus, Prócion,
a de luz azulada
que vibra suave, (quase mantra)
quando pronunciada:
Adhara,

sei pouco de astros,
grandeza ou brilho,
extasiada,
fico a indagar...

Que nome a estrela terá?

Será a distante Alnilan?
ou Átria,
a múltipla Polaris, ao norte,
ou a do poema,
Aldebaran...
São tantos os nomes e tantas estrelas,
planetas, constelações,
num céu tão imenso!

Qual a sua localização?

Visível, na ausência de nuvens,
Cintila (nalgum lugar),
e basta-me:

tenho uma estrela!

Fotografia, aquarela de Marlene Edir Severino
Junho, 1 de 2012