Seja Bem-Vindo

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sábado, 7 de julho de 2012



Uma Leitura da Carta de Marear

"Para a Marlene Severino, muito em especial, "
- na voz do poeta Leonardo B. -  belíssima homenagem na barca dos amantes - http://www.abarcadosamantes.blogspot.com/

Grata, muito ... Emocionada!
Abraço, abraço "imenso", poeta!

Quase Segredo






Depois que sai do banho
ainda envolta
na toalha
caminha até o espelho
do quarto de vestir

Fica a olhar as próprias curvas
agora desacostumadas
à carícias

a traduzir
o avesso

reverso
do que fala

Então se cala e veste-se

E guarda sob a veste
o que não despe

Escreve

E finge
que não lhe pertence


Julho, 07 de 2012
Imagem, "Brincando com as Linhas"  de Ademar Will



segunda-feira, 25 de junho de 2012

Do vento que sopra nessas tardes





Tão grande esse vazio
o vento costuma soprar forte
pelas tardes
trazendo frio
transpassa
trançado fio da blusa

Preenche o silêncio
o som do vento
mas não me traz
qualquer palavra nova

Recolho a mesa do café
deixo cadeiras fora do lugar
disfarce
de espaço abandonado

presente a respiração
tambor que pulsa
engulo a saliva
aperto as palavras

A tarde acaba


Fotografia de Marlene Edir
Junho, 25 de 2012

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Da estrela



                                                                   “Eu ando sozinha
                                                                    ao longo da noite.
                                                                    Mas a estrela é minha”.
                                                                     Cecília Meireles







Com o brilho de Sírius, imenso,
e tão solitária,
a nem tão luminosa, Mirfak,
quem sabe a gigante Arcturus,
ou Canopus, Prócion,
a de luz azulada
que vibra suave, (quase mantra)
quando pronunciada:
Adhara,

sei pouco de astros,
grandeza ou brilho,
extasiada,
fico a indagar...

Que nome a estrela terá?

Será a distante Alnilan?
ou Átria,
a múltipla Polaris, ao norte,
ou a do poema,
Aldebaran...
São tantos os nomes e tantas estrelas,
planetas, constelações,
num céu tão imenso!

Qual a sua localização?

Visível, na ausência de nuvens,
Cintila (nalgum lugar),
e basta-me:

tenho uma estrela!

Fotografia, aquarela de Marlene Edir Severino
Junho, 1 de 2012

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Evasivo Cinza





Azuis acinzentadas as nuvens no céu,
agora chove,
e o muro ao lado é  cinza escuro,
esverdeado do limo.

Negro asfalto, fumaça cinzenta
de um carro que passou,

transparente,
o vento revira no chão ocres folhas,
outras cinzas, esquálidas
pálidas,
nem mais verdes são.

É cinza a solidão? 

Fotografia, Sidarta
Maio, 16 de 2012