Seja Bem-Vindo

Seja Bem-Vindo

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Nenhum Vento a Soprar Nuvens





Procuro ínfimos símbolos,
qualquer prenúncio
no tempo,
também o universo conspira,

nenhum vento sopra
nuvens,
nem folha cai.
Busco

em epigramas escusos
ou em qualquer epígrafe
algum indício
nos poemas teus.

Olho
o fundo da xícara,
marca deixada

do café -
obscuro sinal
a dizer-me o que não sei

traduzir.


(Imagem: Fotografia de Marlene Edir Severino)
Fevereiro, 23 de 2012

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Um Tom de Sépia




A tarde finda
pátina
vibram todos os sinos de vento
e um esqueleto de folha flutua no ar
em desalento,

bate a janela.
Azinhavre,
ferrugem.
A dobradiça emperra.

Veloz,
o vento deixa outra folha
inerte no marrom da grama.

A tarde escorre,
nem dia é mais.
Sépia na paleta.

sábado, 14 de janeiro de 2012

Estrela do Norte






A fruta sobre a mesa,
o ruído da água que ferve na chaleira
(não tolero cafeteira),
o cheiro do café exala

e o sol nascendo
tinge as nuvens a leste,
mas permanece ainda no céu
a estrela matutina.

E o norte?

Tão cedo assim
é curto o pensamento
e o dia é um enigma:
resta algum silêncio da noite,

a rua mal acorda
e o apelo do café coado
ordena que se sorva o instante!


(Fotografia de Marlene Edir Severino)
Janeiro, 14 de 2012

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Toque




De improviso
chegas
Então me abraças

esse inconstante que há em ti
assopra-me

Rendo-me

E sinto o toque do metal
do anular esquerdo da tua mão



(Imagem:óleo sobre tela de MarlenEdir)
Dezembro, 22 de 2011

sábado, 17 de dezembro de 2011

Do Céu Deste Sábado



Tão azul o céu
nesta manhã
de puro silêncio,
de rua sem eco.

Atemporais essas asas:
planam pedras, quintal, mar,
lembram ausência,
voam ar, movimento,

num tempo nem sei se meu,
incerta rota
já nem há tempo:

sorvo vento,
deste impreciso
momento.


(Imagem: fotografia de marlene edir)
Dezembro, 17 de 2011