Seja Bem-Vindo

Seja Bem-Vindo

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Toque




De improviso
chegas
Então me abraças

esse inconstante que há em ti
assopra-me

Rendo-me

E sinto o toque do metal
do anular esquerdo da tua mão



(Imagem:óleo sobre tela de MarlenEdir)
Dezembro, 22 de 2011

sábado, 17 de dezembro de 2011

Do Céu Deste Sábado



Tão azul o céu
nesta manhã
de puro silêncio,
de rua sem eco.

Atemporais essas asas:
planam pedras, quintal, mar,
lembram ausência,
voam ar, movimento,

num tempo nem sei se meu,
incerta rota
já nem há tempo:

sorvo vento,
deste impreciso
momento.


(Imagem: fotografia de marlene edir)
Dezembro, 17 de 2011

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

O Vento Sopra Espinhos




Mudo,
teu sorriso
cala mais forte
no silêncio da casa.

Que cor alimenta o branco papel?
Escondidas todas as asas

e lá fora, o vento
não traz nenhum poema,
apenas sopra espinhos,
alonga longitudes.

Fica esse esquecimento
na pele do vento:
a casa, esse corpo,
toscas palavras.

Mais nada.

(Imagem: fotografia de Marlene Edir Severino)
Dezembro, 13 de 2011

sábado, 26 de novembro de 2011

Da Boca da Noite




Nada
cabe
no silêncio transpassado
da boca da noite

Invisíveis
todos os sinais

não expressam
o instante

Teia da aranha
a limitar o vazio

Imitação do silêncio
e ainda
não o traduz


(Imagem: fotografia de Sidarta)
Novembro, 26 de 2011

domingo, 20 de novembro de 2011

Dos Astros ou Catarse






E não por falta de que avisem os astros
e antecipem que inferno astral anuncia
tempos difíceis
nem levo à risca, mas prevenir em nada modifica
e antecipo as coisas mais complicadas,
ou outras menos, mas que de tão sem graça
empurra-se pra melhor ocasião

e começo a tentar liquidá-las bem antes
e agora, já lá pelo Agosto,
(quase meio ano antes)
meio a contragosto, mas faço,
se for para sofrer que seja logo
e antes que se avizinhe,

mas sempre ficam aquelas resistentes,
incrustadas, feito craca na ostra
e sempre surge um fato ou outro
ou alguma pessoa chata
a lembrar que ainda ali estão.

Devo estar me antecipando ao tempo,
falta a cautela de aguardar a resposta do universo
ou o que já se sabe e custa admitir
é que está tudo certo,
estão as coisas e pessoas no seu devido lugar
(se não, somente a elas cabe)

tomo conta eu, do meu espaço, aqui dentro
no meu ritual diário de buscar
e minhas asas ainda batem,
posso continuar a voar.

(Imagem:fragmento de aquarela de Marlene Edir)
Novembro, 20 de 2011